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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Doutrina: Semente de Fé versus Consciência da Fé - A União com Cristo.



Texto: Romanos 8.31-39; 12.1,2.
Assunto: Semente de Fé versus Consciência da Fé.

Objetivo: Tornar claro a ligação entre a doutrina do Espírito Santo com o conceito que devemos ter acerca da fé e da nossa eleição. 

Introdução
Vamos continuar tratando sobre a importância da nossa união com Cristo. Como Calvino disse: ‘a eleição responde em vez de levantar questões sobre segurança. Em Cristo, o crente ‘vê’ sua eleição; no evangelho, ele ‘ouve’ de sua eleição.

União com Cristo.
O reformador estava consciente de que uma pessoa pode pensar que o Pai a confiou a Cristo quando não é o caso. Uma coisa é afirmar a obra de Cristo como recipiente e guardiã do eleito; o centro, autor e fundação da eleição; a garantia, a promessa e o espelho da eleição e da salvação do crente. Outra coisa completamente diferente, porém, é saber como perguntar se uma pessoa se juntou a Cristo por meio da verdadeira fé. Muitos que parecem ser de Cristo são estranhos a Ele. Calvino disse: ‘Acontece diariamente que aqueles que pareciam ser de Cristo, retrocedem e caem… Tais pessoas jamais aderiram a Cristo com inteira confiança em seu coração de que a certeza de salvação, digo, foi estabelecida para nós’. Ainda que Calvino exercesse um ‘julgamento caridoso’ com respeito à salvação de membros da igreja que mantinham um estilo de vida recomendável, ele, também, frequentemente, afirmou que somente uma minoria receba a Palavra pregada com fé salvadora. Ele disse: ‘Pois, ainda que todos aos quais a Palavra de Deus é pregada, sem exceção, sejam instruídos, apenas uns poucos, um em dez quando muito, provam dela; sim, somente um pequeno número, algo como um em cem, tira proveito do fato de terem sido capacitados a prosseguir no curso certo’.
Calvino cria que muito do que parece fé carece de um caráter salvador. Ele falou de fé não-formada, de fé implícita, da preparação para a fé, de fé temporária, de uma ilusão de fé, de uma falsa demonstração de fé, de tipos sombrios de fé, de fé transitória e de fé mascarada de hipocrisia.

Necessidade de um autoexame.
O autoengano é uma possibilidade real, disse Calvino. O réprobo frequentemente sente algo semelhante à fé do eleito. ‘Há uma grande semelhança e afinidade entre os eleitos de Deus e aqueles aos quais é dada a fé transitória’. Por isso, é essencial que se proceda um exame pessoal: “O Espírito Santo admoesta-nos dizendo que não podemos supor que a maioria das pessoas que são membros da igreja (é eleita) só porque seu grande número parece exceder outros, pois, como o joio se sobrepõe ao trigo e o sufoca, assim a hipocrisia soterra os filhos de Deus cujo número é sempre menor… Portanto, aprendamos a examinar a nós mesmos e a verificar se temos marcas interiores pelas quais Deus distingue seus filhos dos estranhos, isto é, a raiz viva da piedade e da fé”.

Felizmente, os verdadeiros salvos serão preservados do autoengano mediante um exame apropriado dirigido pelo Espírito Santo. Calvino escreveu: “No meio tempo, os fieis são instruídos a examinar a si mesmos com solicitude e humildade, para que não aconteça que se insinue uma segurança carnal em vez de segurança da fé”.

Há uma necessidade de um autoexame pessoal acerca de uma diversidade de tópicos, tais como: conhecimento de Deus e de nós mesmos, julgamento, arrependimento, confissão, aflição, Ceia do Senhor, providência, dever e reino de Deus. Esses foram os temas abordados por Calvino diante da necessidade de um autoexame pessoal, na vida do crente.
Mesmo diante desta necessidade, Calvino enfatizou Cristo. Ele disse que devemos examinar a nós mesmos para ver se estamos colocando nossa confiança em Cristo apenas, pois esse é o fruto da experiência bíblica. Para ser mais claro, o autoexame precisa sempre nos dirigir, com nossos pecados e injustiças, a Cristo e às suas promessas. Não deve jamais ser feito à parte da ajuda do Espírito Santo, que é o único que pode lançar luz sobre sua própria obra salvadora por meio da Palavra. À parte de Cristo, da Palavra e do Espírito, disse Calvino, ‘se você contemplar a si mesmo, será pura condenação’.

A segurança da eleição é em Cristo.
Dessa forma, a linha de raciocínio de Calvino é a seguinte: O propósito da eleição abarca a salvação. Os eleitos não são escolhidos por causa de qualquer mérito próprio, mas apenas em Cristo. Uma vez que são eleitos em Cristo, a segurança de sua eleição e salvação não pode jamais ser encontrada em si mesmos à parte de Cristo, ou no Pai à parte de Cristo. Antes, a segurança é encontrada em Cristo; conclui-se daí que a base da segurança é a vital comunhão com Ele.
A questão, entretanto, permanece: Como o eleito goza tal comunhão, e como isso produz segurança? A resposta de Calvino foi pneumatológica: O Espírito Santo aplica Cristo e seus benefícios ao coração e à vida de pecadores eleitos e culpados pelo que são assegurados pela fé salvadora de que Cristo lhes pertence e de que eles pertencem a Cristo. O Espírito Santo confirma neles as promessas de Deus em Cristo. Assim, a segurança pessoal jamais é separada da eleição do Pai, da redenção do Filho, da aplicação do Espírito e dos meios instrumentais da fé.

O Testemunho do Espírito Santo.
O Espírito Santo desempenha um papel enorme na aplicação da redenção, disse Calvino. Como consolador pessoal, selo, penhor, testemunho, segurança e união, o Espírito testifica a graciosa adoção do crente: Deus, derrama sobre nós a graça celestial do Espírito, sela no nosso coração a certeza de sua própria palavra… Pois o Espírito, testificando nossa adoção, é nossa segurança, e, confirmando a fé das promessas, é o selo, para que em boas bases seja chamado sincero, porque é derivado a ele que o pacto de Deus é ratificado em ambos os lados, que, se não fosse por ele, teria ficado em suspenso… Assim é que ele tem estes títulos de distinção: Unção, Penhor, Consolador e Selo.
Calvino afirmou que o testemunho do Espírito é absolutamente essencial para a adoção e segurança pessoal: “O Espírito Santo de Deus nos confere o testemunho de que, quando Ele é nosso guia e mestre, nosso espírito é assegurado da adoção de Deus; pois nossa mente por si só, sem o prévio testemunho do Espírito, não pode convencer-nos dessa segurança”.


Conclusão
Concluímos que a união com Cristo evidencia nossa eleição. No entanto, o autoexame pessoal, nos concede a segurança e o testemunho de nossa eleição e testemunho do Espírito Santo em nós, comunicando-nos a unção, o penhor o consolo o selo e a afirmação da nossa adoção em Cristo.


Debate:
01 – Por que a doutrina da eleição é mal compreendida?
02 – Comente sobre os valores do autoexame na vida do crente.
03 – Por que alguns crentes se desviam da Palavra de Deus?

Próximo culto de doutrina dia 17 de abril, será tratado sobre: Semente de Fé versus Consciência de Fé.
Congregação presbiterial em Santa Cruz do Capibaribe, PE. 10 de abril de 2014.
Rev. José Tiago Xavier Costa
Culto de oração e doutrina.
Fonte: A busca da plena segurança. O legado de Calvino e seus sucessores; Autor: BEEKE, Joel. Editora: Os puritanos; pp. 88 – 92.

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